Introdução
A parentalidade é um poderoso gerador de desenvolvimento; segundo Gutman (1975), “dá-nos uma oportunidade de redefinir e de expressar quem somos, de aprender o que podemos ser, de nos tornarmos diferentes (p.1).
A gravidez, e em simultâneo o desenrolar normal das adaptações fisiológicas, exige à mulher a consciência da necessidade de uma reestruturação e adaptação interior e mais profunda, para que se possa efectuar a adaptação psicológica. Daí que se constitua como um momento particular de retorno a si própria, de investimento no próprio corpo, na sua imagem, no que ela contém: vida.
Desde o início da gravidez, o corpo da mulher sofre uma série de alterações, não só externas e visíveis, como o aumento de peso, mas também internas ou fisiológicas, como por exemplo as modificações hormonais inerentes à gravidez e à preparação do organismo para o parto. Existem evidências de que essas alterações fisiológicas se reflectem ao nível emocional. São comuns as descrições das emoções associadas à gravidez, como um estado de maior irritabilidade, maior sensibilidade, menor tolerância e de choro fácil, muitas vezes sem motivo óbvio ou aparente.
Por vezes pode ser difícil para a grávida ou para a mãe recente falar abertamente sobre os seus sentimentos, com receio de que não seriam compreendidas pelas pessoas que as rodeiam e que levariam a julgamentos sociais de inadequação ou desajuste/não adaptação psicológica. O senso comum continua a rotular este período da vida da mulher e da família enquanto “período de felicidade por excelência”, o que por sua vez, recai sobre a mulher como uma sensação de “inadequação” por não se sentir totalmente e claramente feliz e por persistirem emoções de tonalidade negativa numa época que é de felicidade.
Porém, a gravidez e nascimento de um filho, independentemente de ser o primeiro, desencadeia uma série de mudanças que exigem adaptações sucessivas não apenas à mãe, mas também ao pai.
Durante os primeiros meses de vida do bebé ambos podem sentir dificuldades em dar resposta a todas estas exigências, quer físicas, quer emocionais.
As investigações efectuadas nesta área trazem à discussão a intensidade e a ambivalência emocional deste período e apelam para a necessidade de compreensão desta fase da vida familiar que exige da parte dos seus membros um esforço adicional, que excede as rotinas construídas e conhecidas e a utilização dos seus recursos psicológicos para descobrirem novas estratégias para lidar com as novas exigências. É aqui que pode residir a possibilidade de risco psicológico, quando as exigências da nova situação individual (reorganização dos papéis, das funções e da identidade pessoal) e familiar (a integração de uma criança ou de uma nova criança) ultrapassam os recursos pessoais e familiares para lidar com a nova situação, desencadeando sensações de “bloqueio” e muitas vezes de desespero na tentativa de ensaio de estratégias alternativas.
Como sabemos que bebés e pais fazem parte de um sistema, em que os comportamentos de uns desencadeiam e moldam os comportamentos do outro, alterações numa das partes do sistema desencadeia inevitavelmente consequências nas restantes, que podem ter repercussões futuras ao nível da adaptação e bem-estar psicológico de todos os elementos do sistema.
Nesta secção encontrará informações que foram colocadas com o objectivo de contribuir para promover a adaptação dos pais aos seus novos papéis e tarefas. Ao longo do tempo novos conteúdos serão acrescentados.