Informação útil

Agradecemos a colaboração da Prof. Ana Teresa Almeida Santos na revisão da informação médica incluída nos pontos seguintes.

As causas da infertilidade
Várias causas têm sido apontadas como contribuindo para o aumento da incidência dos problemas de infertilidade, tais como factores físicos, psicológicos, ambientais, relacionados com o estilo de vida, entre outros.
Estes problemas deixaram de ser considerados essencialmente como um problema feminino, havendo um maior reconhecimento de que o problema pode ser de origem masculina e até mesmo de origem desconhecida. Assim, actualmente estima-se que cerca de 40% dos factores causais podem ser atribuídos à mulher, 40% ao homem, 10% à combinação de vários factores e 10% serão causados por factores desconhecidos.

Para informação adicional sobre definição, diagnóstico, causas e prevenção da infertilidade, pode consultar os seguintes links:

Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução
http://www.spmr.pt/faq.aspx#possiveisCausasInfertilidade

Associação Portuguesa de Fertilitdade
http://www.apfertilidade.org/web/index.php/o-que-e-a-infertilidade

Técnicas de Reprodução Medicamente Assistida (TRMA)
As técnicas de Reprodução Medicamente Assistida (TRMA) dizem respeito a um conjunto de procedimentos médicos destinados a auxiliar os casais no seu esforço de procriação.
As técnicas mais comuns de RMA são, presentemente, as seguintes:

  • Inseminação artificial (IA): transferência mecânica de espermatozóides, previamente recolhidos e tratados, para o interior do aparelho genital feminino;
  • Transferência intratubária de gâmetas (GIFT): os dois tipos de gâmetas (espermatozóides e ovócitos, previamente isolados) são transferidos para o interior das trompas uterinas de modo que só aí se dê a sua fusão, ou seja, a fecundação tem lugar in vivo;
  • Fertilização in vitro (FIV): ambos os tipos de gâmetas são postos em contacto in vitro em condições apropriadas para que ocorra a fecundação. O embrião ou embriões resultantes são então transferidos para o útero ou para as trompas;
  • Injecção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI): Injecção de um único espermatozóide dentro do óvulo feminino, promovendo assim a fecundação. O embrião ou embriões resultantes são então transferidos para o útero.

Pode obter mais informação sobre o assunto consultando o link abaixo indicado
http://www.apfertilidade.org/web/index.php/tecnicas-de-reproducao

Aspectos psicológicos associados à infertilidade
Confrontados com a impossibilidade de conceber um filho de forma natural, muitos casais recorrem a tratamentos médicos para o conseguir. Apesar destes tratamentos significarem uma nova esperança de alcançar o objectivo tão desejado e procurado, podem ser bastante desgastantes, especialmente para as mulheres, sobre quem recai a maior parte dos tratamentos, e de forma geral, para o casal.

Homens e mulheres tendem assim a apresentar níveis acrescidos de ansiedade e depressão, relacionados com a incerteza de o tratamento ser bem sucedido, bem como com o facto de estas técnicas apresentarem alguns efeitos secundários e riscos obstétricos, como uma probabilidade acrescida de gravidez múltipla e de parto pré-termo.

Porém, quando confrontados com um diagnóstico de infertilidade, nem todos os casais reagem da mesma forma, dependendo da presença de múltiplos factores, como por exemplo, a satisfação com a relação conjugal, entre outros (ver caixa), que podem contribuir para o melhor ajustamento do casal perante este problema.


     Factores que podem contribuir para um melhor ajustamento a esta situação

     Boa relação conjugal
     Inexistência de problemas de saúde mental
     Boa rede de suporte social (família, amigos, …) e compreensão de terceiros pelo problema
     Compreensão no local de trabalho
     Separação da identidade pessoal do papel de mãe/pai
     Existência de outros filhos (multiparidade)
     Conhecimento da(s) causa(s) da infertilidade

Intervenção Psicológica
Por toda a instabilidade emocional que o problema da infertilidade e os respectivos tratamentos podem trazer para os membros do casal e até mesmo para a relação conjugal, poderá ser benéfico recorrer à ajuda de um profissional.

Assim, quando se verifica a existência de sintomas depressivos, como elevada tristeza, choro fácil, dificuldades em dormir, ou de elevados níveis de ansiedade, como agitação e stress, mudanças de humor repentinas, dificuldades de concentração e falta de memória, poderá ser benéfico para o casal a ajuda de um técnico especializado.

Da mesma forma, dificuldades conjugais, como dificuldades a nível sexual, dificuldades de comunicação, sentimentos de culpa em relação ao parceiro, entre outros, poderão também justificar que o casal recorra a apoio psicológico.

No entanto, o Acompanhamento Psicológico não deve ser encarado como um último recurso, ao qual apenas se recorre em situações extremas. O ideal é que este seja disponibilizado em qualquer fase de diagnóstico e tratamento, devendo permitir ao utente: 1) reflectir sobre todas as opções e implicações dos tratamentos disponíveis; 2) receber suporte emocional; e 3) desenvolver recursos suficientes para lidar adaptativamente com o desafio da infertilidade, tratamentos associados e respectivos resultados.

Só assim este pode assumir uma forte valência preventiva, essencial para que os casais possam, num primeiro momento, normalizar a sua vivência e, num segundo momento, ter uma melhor compreensão das exigências inerentes aos processos que terão de enfrentar, bem como tomar decisões mais informadas.

O Stress e a Infertilidade
Quando os casais têm dificuldade em ter filhos podem sentir que deixam de ter controlo sobre a sua vida e os seus corpos. A ameaça que os casais sentem à concretização dos seus projectos, os testes e tratamentos para a esterilidade e todas as mudanças e esforços associados levam a que muitos casais se sintam ansiosos e emocionalmente esgotados.
Quando tal acontece, os casais podem:

  • comunicar entre si, expressando os seus sentimentos, medos e dificuldades;
  • procurar o apoio da família, amigos e profissionais;
  • ler livros sobre esterilidade que os ajudem a entender melhor os seus próprios sentimentos e a lidar com a situação;
  • aprender o mais possível acerca das causas da esterilildade e dos tratamentos disponíveis;
  • consultar associações de apoio, como é o caso da Associação Portuguesa de Infertilidade (http://www.apfertilidade.org/web/);
  • estudar e optar por um plano de tratamento médico que agrade aos dois membros do casal;
  • aprender técnicas de redução do stress (como relaxamento, yoga, ...);
  • praticar exercício físico regularmente para libertar tensão física e emocional;
  • evitar o consumo excessivo de cafeína e outros estimulantes.

Sinais de que pode beneficiar de Acompanhamento Psicológico
Se se sente muito deprimido(a) ou ansioso(a), poderá recorrer a Acompanhamento Psicológico. A intervenção especializada pode também ser útil se se sentir isolado(a) ou com dificuldade em tomar decisões acerca das alternativas que estão à sua disposição.
Os sinais de que pode beneficiar de acompanhamento psicológico incluem:

  • sentimentos persistentes de tristeza, culpa ou desespero;
  • isolamento social;
  • perda de interesse nas suas actividades usuais e relações pessoais;
  • agitação e ansiedade;
  • mudanças de humor repentinas;
  • dificuldades conjugais;
  • dificuldades de concentração e falta de memória;
  • perda de apetite, diminuição do peso ou dificuldades em dormir;
  • dificuldades no relacionamento sexual com o(a) seu/sua companheiro(a).

Conversar com um profissional pode ajudá-lo/a a:
Recorrer a Aconselhamento Psicológico não deve ser considerado como o último recurso ao qual recorrer, mas como uma forma de compreender melhor a infertilidade e os seus efeitos. Conversar como um profissional pode ajudá-lo/a a desenvolver recursos para lidar melhor com a situação e a evitar problemas que são comuns no decorrer dos tratamentos de RMA.
Mais concretamente, um profissional pode ajudá-lo/a a:

  • preparar-se para lidar com os tratamentos médicos e cirúrgicos;
  • compreender e saber lidar com as suas reacções emocionais ao problema de fertilidade;
  • reduzir o impacto que o seu problema de fertilidade pode ter nas suas relações com o seu/sua companheiro/a, família e amigos;
  • aprender a controlar a ansiedade e depressão que muitas vezes acompanha estes problemas;
  • tomar decisões relativas aos tratamentos ou considerar outras alternativas para construir família, como a adopção;
  • lidar com situações de perda com que a infertilidade pode criar (insucesso no tratamento, interrupções de gravidez, …).

Situações nas quais o Aconselhamento Psicológico é considerado obrigatório
Segundo a European Society of Human Reproduction & Embryology (ESHRE - http://www.eshre.com/emc.asp), existem algumas situações em que o Acompanhamento Psicológico, mais do que recomendável, é obrigatório:

  • Pacientes que recorram à doação de óvulos, barrigas de aluguer…;
  • Pacientes que apresentem altos índices de stress e ansiedade;
  • Pacientes considerados em risco devido à história psicológica (consumo de drogas, psicopatologia prévia, défices cognitivos graves, relação conjugal problemática, desacordo em relação ao tratamento…);
  • Pacientes que necessitem de aconselhamento genético.

Onde pode recorrer a apoio psicológico?
A Consulta de Acompanhamento Psicológico, integrada na UnIP – Unidade de Intervenção Psicológica do Departamento de Medicina Materno Fetal, Genética Médica e Reprodução dos HUC, está disponível para prestar apoio psicológico aos utentes do serviço. Outras clínicas públicas e privadas do país disponibilizam também apoio psicológico. Este poderá ser um factor a tomar em conta ao decidir sobre a clínica onde pretende ser utente. Pode também recorrer a um Psicólogo Clínico, apesar de as probabilidades de este não estar informado sobre as especificidades deste tipo de aconselhamento serem bastante elevadas.



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