Aspectos médicos associados ao cancro da mama:

  O que é o cancro da mama?

  Quais são os sintomas mais comuns?

  Como é feito o diagnóstico clínico do cancro da mama?

  Quais são os tipos de tratamentos mais frequentemente realizados

Aspectos psicológicos associados ao cancro da mama:

  Quais são as repercussões psicológicas do cancro da mama?

  O que é que pode contribuir para uma melhor adaptação ao cancro da mama?

  Como lidar com o cancro da mama e os seus tratamentos?

  1. Lidar com o diagnóstico

  2. Lidar com o(s) tratamento(s)

  2.1. Lidar com a cirurgia

  2.2. Lidar com a quimioterapia

  2.3. Lidar com a terapia hormonal

  2.4. Lidar com a radioterapia

  3. Como lidar com o medo de uma recidiva?

  Como lidar com o seu companheiro?

  A importância do acompanhamento psicológico durante todo o percurso da doença e dos tratamentos







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Informação útil

Agradecemos a colaboração da Dra. Natália Fialho Amaral na revisão da informação médica incluída nos pontos seguintes.

Aspectos médicos associados ao cancro da mama

O que é o cancro da mama?
O cancro da mama é um tumor maligno que se desenvolve nas células do tecido mamário. É bastante mais frequente nas mulheres, mas pode atingir também os homens.

Factores de Risco para o cancro da mama

  • Idade e género: a possibilidade de ter cancro da mama aumenta com a idade e com o facto de se ser mulher; uma mulher com mais de 60 anos e/ou depois da menopausa corre maior risco
  • História menstrual longa: primeira menstruação em idade precoce (antes dos 12 anos de idade); menopausa tardia (após os 55 anos); mulheres que nunca tiveram filhos
  • Primeira gravidez depois dos 31 anos
  • História familiar: familiares em linha directa com cancro da mama
  • Alterações da mama: hiperplasia atípica; carcinomas in- situ; doença proliferativa da mama
  • Alterações genéticas: alterações nos genes BRCA1, BRCA2, entre outros
  • Factores ambientais: radiações ionizantes, entre outros
  • Terapêutica hormonal de substituição durante 5 ou mais anos após a menopausa
  • História pessoal de cancro da mama: ter tido cancro numa mama aumenta o risco de desenvolver a mesma doença na outra mama
  • Realização prévia de radioterapia no peito antes dos 30 anos
  • Particularidades de algumas mamas, nomeadamente, a sua densidade
  • Factores alimentares: ingestão de gorduras, álcool, entre outros
  • Tabagismo
  • Raça: mais frequente em mulheres caucasianas (brancas), comparativamente às latinas, asiáticas ou afro-americanas.

Que cuidados se devem ter para detectar o cancro da mama?
O diagnóstico precoce de cancro da mama é fundamental, pois evita que o cancro se espalhe para outras partes do corpo, o que favorece o prognóstico, a recuperação e a reabilitação.

Para que seja diagnosticado precocemente, é importante que:

  • Faça um auto-exame das mamas mensalmente, após o período menstrual;
  • Vá ao médico especialista em patologia mamária uma vez por ano;
  • Participe em programas de rastreio.

 

Quais são os sintomas mais comuns no cancro da mama?
O cancro da mama pode causar alterações físicas visíveis, que devem ser tidas em conta por si e observadas pelo seu médico com atenção.


Principais sinais que deve ter em atenção:
  • Qualquer alteração na mama ou no mamilo, no que respeita à cor, tamanho e posicionamento;
  • Aparecimento de nódulo/endurecimento na mama ou na axila;
  • Qualquer escorrência mamilar
  • Retracção da pele da mama ou do mamilo ou invaginamento deste
Se sentir dor na mama ou qualquer outro sintoma que persista deve sempre consultar o seu médico. Na maioria das vezes, estes sintomas não estão associados a cancro, mas é importante ser vista por um médico, para que qualquer situação possa ser diagnosticada e tratada atempadamente.

Como é feito o diagnóstico clínico do cancro da mama?
Se tiver uma alteração na mama, o seu médico deverá tentar determinar qual a sua etiologia; pode não ser cancro! Para tal, será realizada uma história clínica cuidada, uma observação clínica e posteriormente, exames complementares. Todos os exames que tiver realizado anteriormente deverão ser apresentados ao seu médico.


Exames solicitados com mais frequência:
  • Mamografia;
  • Ultrassonografia (ecografia);
  • Citologia aspirativa;
  • Biópsia;
  • Também poderão ser solicitados outros exames - raios X, exames de sangue, ecografia, cintilograma ósseo, provas de função hepática etc., para verificar se o cancro está presente em outros órgãos do corpo.

Tratamento
Dependendo das necessidades de cada doente, o médico poderá optar por um ou pela combinação de dois ou mais tipos de tratamentos.

Principais meios de tratamento para o cancro da mama

  • Cirurgia da mama (é muitas vezes o tratamento inicial e pode ser de vários tipos):
    • Tumorectomia
    • Quadrantectomia
    • Mastectomia simples ou total
    • Mastectomia radical
    • Mastectomia radical modificada
    • Reconstrução
  • Cirurgia da axila (os gânglios linfáticos da axila são também frequentemente removidos)
    • Pesquisa do gânglio sentinela
    • Esvaziamento axilar
  • Radioterapia: utiliza raios de alta energia que têm a capacidade de destruir as células cancerosas e impedir que elas se multipliquem. Tal como a cirurgia, a radioterapia é um tratamento local. A radiação pode ser externa ou interna. 
  • Tratamento com substâncias citostáticas: é a utilização de drogas que agem na destruição das células malignas. Podem ser aplicadas através de injecções intramusculares ou endovenosas ou por via oral. 
  • Hormonoterapia: tem como finalidade impedir que as células malignas continuem a receber a hormona que estimula o seu crescimento. O tratamento pode incluir o uso de drogas, que modificam a forma de actuar das hormonas, ou a cirurgia, que remove os ovários - órgãos responsáveis pela produção dessas hormonas. Da mesma maneira que a quimioterapia, a terapia hormonal actua nas células do corpo todo.

Para qualquer informação adicional, ligue para a Linha Cancro - linha de apoio à pessoa com cancro disponibilizada pela Liga Portuguesa Contra o Cancro  808 255 255

Aspectos psicológicos associados ao cancro da mama:

Ao viver uma experiência como o cancro da mama, é normal sentir medo, tristeza, angústia, sensação de descontrolo... Estas emoções, podem surgir em qualquer uma das etapas de desenvolvimento da doença, do tratamento ou mesmo depois deste terminar.

Percepcionar a doença como uma ameaça à sua própria vida, não prever o curso da doença, o que irá acontecer durante todo o período de tratamentos, quais as repercussões nas actividades diárias e o que poderá fazer para se ajudar a si própria, pode fragilizar psicologicamente a mulher.

Quais são as repercussões psicológicas do cancro da mama?
O cancro da mama é um factor de risco importante para a saúde mental e qualidade de vida da mulher e respectiva família pelas implicações psicológicas que lhes estão associadas, nomeadamente, aos níveis:

Individual

  • É comum a mulher sentir-se revoltada ou magoada, confusa, cansada, triste, preocupada, com uma forte sensação de incerteza e de falta de controlo. Tudo isto é normal! Algumas mulheres poderão até sentir-se culpadas, pensando ter tido alguma responsabilidade no desenvolvimento da doença. No entanto, isto não é verdade; o cancro da mama não está relacionado com factores que possamos controlar ou alterar;
  • São frequentes sintomas psicológicos tais como: agitação; ansiedade; depressão; hipervigilância; diminuição da auto-estima e da feminilidade; preocupações acerca da imagem corporal; perturbações psicossomáticas; e stress pós-traumático.

Conjugal e familiar

  • No decurso do processo de doença podem, eventualmente, surgir dificuldades ao nível da intimidade e relacionamento sexual do casal; dificuldades no relacionamento familiar, nomeadamente, no que diz respeito ao desempenho do papel parental;
  • A doença também pode originar preocupações e “stress” nos restantes elementos da família. A mulher deverá consciencializar-se que a respectiva família também necessita de saber o que está a acontecer, de modo a poder disponibilizar o apoio emocional, instrumental de que a mulher necessitará durante o curso da doença.

Social

  • Podem surgir também dificuldade nas relações com os outros;
  • É frequente o isolamento social da mulher.

Por outro lado, o cancro da mama pode constituir-se como uma oportunidade de crescimento e desenvolvimento pessoal e relacional, dado que, muitas vezes, contribui para mudanças importantes que se reflectem na descoberta de novas significações, de novas prioridades e de uma maior apreciação pela vida; numa maior abertura a novas possibilidades; na percepção de maior força pessoal; numa melhoria no relacionamento com os outros e até numa mudança a nível espiritual e/ou existencial.

O que é que pode contribuir para uma melhor adaptação ao cancro da mama?
Perante o diagnóstico e durante o tratamento da doença, nem todas as mulheres reagem da mesma forma. A reacção de cada mulher depende da presença de múltiplos factores, alguns dos quais podem constituir-se como factores de protecção no desenvolvimento de reacções psicopatológicas.

Factores que promovem uma boa adaptação ao cancro da mama:

  • Boa rede de suporte social (apoio por parte de outros significativos, tais como família, amigos, vizinhos, etc. de quem pode obter a ajuda necessária e com quem pode partilhar pensamentos e sentimentos íntimos)
  • Relação conjugal satisfatória
  • Estratégias de lidar com a doença e tratamentos adequadas (procurar informação sobre o problema e as formas de o solucionar; lidar eficazmente com a ansiedade; partilhar/desabafar medos e sentimentos relacionados com a doença, os tratamentos e com o futuro, etc.)
  • Conhecimento da doença e dos tratamentos disponíveis
  • Sensação de controlo e de auto-eficácia (espírito optimista; sentimento de que tem controlo sobre a doença)
  • Manutenção de um estilo de vida saudável e gratificante
  • Inexistência de psicopatologia anterior
  • Confiança no tratamento e no médico responsável pelo tratamento (confiar plenamente no médico, e demonstrá-lo, é benéfico para ambos, para que se estabeleça uma parceria de confiança)
  • Participação em grupos de apoio, formais ou informais (partilhar a experiência com outras mulheres, que têm ou tenham tido cancro da mama, ajuda a “normalizar” a convivência com a doença)

Como lidar com o cancro da mama e os seus tratamentos?
Confrontada com o diagnóstico de cancro da mama, a mulher terá de submeter-se a um ou vários tratamentos. Apesar destes significarem a possibilidade de recuperar da doença, podem ser desgastantes para a mulher e família, implicando elevados níveis de stress.

Embora muitas mulheres vivam este período com muita ansiedade, muitas são as aquelas que conseguem fazer uma gestão eficaz da mesma. Isto porque aplicam no seu dia-a-dia um conjunto de estratégias que permitem uma vivência mais tranquila do diagnóstico e do posterior período de tratamento(s).

Estratégias úteis para lidar com o cancro da mama:

  • Dê-se a si própria tempo para recuperar (voltar a ser forte e a ter a mesma energia pode demorar algum tempo; dê a si mesma o tempo necessário para recuperar);
  • Tente conhecer as causas da doença e os tratamentos disponíveis (ler livros, artigos e depoimentos sobre cancro da mama, pode ajudá-la a entender melhor os seus próprios sentimentos e a lidar com a situação);
  • Coloque todas as suas dúvidas ao seu médico; fale-lhe dos seus medos e preocupações e peça-lhe informação sobre o que vai acontecer de seguida (pode mesmo trazer consigo um pequeno caderno onde aponta as suas questões e as respostas fornecidas pelo seu médico); ouça atentamente todas as recomendações; se não compreender algum termo médico, tem o direito de pedir ao seu médico que a esclareça;
  • Tente estar a par do seu plano de tratamento médico
  • Procure conhecer outras mulheres que tiveram cancro da mama e que fizeram os mesmos tratamentos a que irá ser submetida ou procure um grupo de apoio – grupo constituído por mulheres com cancro da mama que se encontram no mesmo estadio da doença, onde poderá partilhar os seus receios e outras emoções.
  • Procure o apoio da família, amigos, vizinhos; desabafe com eles os seus sentimentos e preocupações; faça-se acompanhar sempre com alguém às consultas e tratamentos; não tema pedir ajuda para as tarefas domésticas (refeições, compras, arrumação da casa, etc.), as outras pessoas sentir-se-ão mais úteis por saberem que a estão a ajudar; 
  • Comunique com o seu companheiro, expressando os seus sentimentos, medos e dificuldades;
  • Aprenda a pôr em prática técnicas de redução do stress (por exemplo, relaxamento, yoga, respiração abdominal, visualização de imagens tranquilizantes, etc.);
  • Pratique exercício físico regularmente de modo a libertar a tensão física e emocional;
  • Procure a ajuda de um profissional de psicologia ou psiquiatria;
  • Celebre cada passo da sua recuperação (gratifique-se sempre que avança mais um passo no seu tratamento, por exemplo, vá jantar fora, vá ao cinema, compre alguma coisa para si; o importante é que neste período continue a cuidar de si).

1. Lidar com o diagnóstico:

O diagnóstico de cancro da mama é devastador para a maioria das mulheres. É comum passarem por 5 estádios subjacentes ao processo de adaptação:

  • Negação e Isolamento – a mulher não aceita o diagnóstico e nega-o “Não, não posso ser eu”. Esta reacção é praticamente universal, não sendo necessariamente desadaptativa;
  • Cólera – revolta e raiva para com o médico/laboratório/enfermeira que comunica o diagnóstico e para consigo própria. Geralmente surgem questões como “Porquê eu?”, “Porque é que isto me aconteceu?”, “O que eu fiz para merecer isto?”;
  • Negociação – tentativa de prolongar o seu bem-estar e tempo de vida, negociando com Deus, com os que o rodeiam e inclusive com a equipa médica “Prometo dedicar mais tempo aos outros”, “Vou ser uma pessoa melhor”;
  • Depressão – a mulher toma consciência da doença; muitas vezes chora e verbaliza a sua angústia “Sim, sou eu!”, “Não há nada a fazer contra a doença;
  • Aceitação – a mulher aceita a doença e decide lutar contra ela utilizando todos os recursos disponíveis “Sim estou doente mas vou tratar-me”.

A quem deverei comunicar, dentro do meu núcleo familiar e social, que tenho cancro da mama?”
A decisão compete-lhe a si unicamente, mas tem de ter em conta de que irá necessitar, pelo menos numa fase inicial, de apoio na realização de diversas actividades e de apoio emocional.
Se houver crianças  na família, surgirá também a dúvida se devem, ou não, ser informadas sobre a doença. As crianças também devem ser informadas da situação. Em geral, são muito intuitivas e facilmente se apercebem quando algo não está bem; conhecer a situação poderá evitar alguma angústia..

Será que a minha vida alguma vez voltará a ser como era dantes?”

Grande parte do medo associado ao diagnóstico de cancro da mama relaciona-se com a incerteza e com a sensação de perda de controlo sobre a própria vida. Assim sendo, torna-se difícil imaginar que algo positivo possa acontecer neste percurso da doença. No entanto, muitas mulheres que estão a realizar ou que já terminaram o(s) tratamento(s), revelam que esta experiência contribuiu para as tornar mais fortes e que as ajudou a sentirem-se ainda mais próximas dos seus familiares e a aprenderem mais sobre elas próprias.

2. Lidar com o(s) tratamento(s):

Sentir receio do(s) tratamento(s) a que irá ser submetida é comum e completamente normal. É essencial ter sempre presente que o(s) tratamento(s) são fundamentais para a sua recuperação e assim, voltar a ter uma vida saudável.

Receios mais frequentes associados ao tratamento:

  • Receio dos efeitos secundários
  • Receio de que o tratamento não esteja a funcionar e que seja necessário iniciar outro tratamento
  • Preocupação com o bem-estar da família durante o período de hospitalização
  • Preocupação com as possíveis repercussões profissionais de uma baixa prolongada
  • Medo de não ter capacidade para cuidar de si própria e de necessitar de ajuda por parte dos seus familiares
  • Se tiver filhos pequenos, pode não saber como lhes explicar o que lhe está a acontecer

É normal sentir estes receios e preocupações. Dê a si própria permissão para se sentir ansiosa, mas não deixe que a sua ansiedade perturbe o seu funcionamento. Mais importante do que tentar evitar estes sentimentos é aprender a lidar com eles.

Qual a eficácia dos tratamentos?”
É do conhecimento de todos que os tratamentos utilizados no cancro da mama são cada vez mais eficazes. Efectivamente, estes tratamentos são cada vez mais específicos consoante o tipo de cancro e as necessidades da doente; as técnicas cirúrgicas estão cada vez mais desenvolvidas de modo a preservar a imagem da mulher, havendo também medicação para controlar os efeitos secundários dos tratamentos complementares.

Poderei manter a minha vida normal durante o período de tratamento(s)?”
Enquanto está a fazer quimioterapia ou radioterapia, pode prosseguir com a sua vida diária normal. Hoje estes tratamentos já não já não são invalidantes ao ponto de a impedir de prosseguir com as suas actividades, embora por vezes, algumas mudanças tenham inevitavelmente de ocorrer: pode sentir a necessidade de ter de descansar mais, de ter de pedir ajuda em relação a algumas tarefas domésticas, etc. mas, no fundo, poderá esperar manter-se quase tão activa como antes.

2.1. Lidar com a cirurgia:


Principais receios e preocupações antes e depois da realização de uma intervenção cirúrgica:
  • Preocupações acerca da imagem corporal
  • Medo de sentir dor e desconforto
  • Incerteza quanto à duração do período de recuperação
  • Preocupação com o bem-estar da família durante o período de internamento

A melhor forma de lidar com a cirurgia é procurar ajustar as suas expectativas, tomando conhecimento do tipo de cirurgia que irá realizar, quais as consequências resultantes da cirurgia, e como deverá lidar com determinados aspectos decorrentes da mesma

Alguns aspectos a ter em conta antes e após realizar uma cirurgia:

  • Saiba o que pode tomar no caso de sentir dor, desconforto, náuseas;
  • Se sair do hospital com pontos e ligaduras, peça que lhe expliquem como deverá substitui-los ou retirá-los;
  • Pergunte ao seu médico/enfermeira que tipo de actividades poderá realizar (conduzir, cozinhar...). No caso de necessitar estar mais inactiva nas primeiras semanas, peça auxílio a algum familiar/amiga/vizinha de modo a que este a ajude com a tarefas básicas, que a transporte ao hospital, etc.;
  • Se não puder esforçar-se para alcançar objectos, antes da cirurgia faça uma nova organização dos objectos de que irá necessitar, de modo a que estes estejam ao seu alcance facilmente;
  • Delegue tarefas no seu local de trabalho; a sua recuperação é a prioridade; liberte-se das preocupações a propósito do seu trabalho;
  • Se verificar uma ressumação amarelada ou esverdeada, com mau cheiro, saindo da ferida; agravamento do inchaço ou vermelhidão em volta da ferida, temperatura de 38º ou superior, deve procurar o seu médico;
  • No caso de ter sido mastectomizada, informa-se sobre a melhor forma de obter uma prótese (poderá adquirir a sua prótese e roupa interior adequada nas várias extensões do Movimento Vencer e Viver da Liga Portuguesa Contra o Cancro) e se assim o desejar, informe-se sobre a possibilidade de reconstrução mamária.

Um dos principais receios associados à cirurgia é a preocupação acerca da imagem corporal e, consequentemente, o relacionamento íntimo e sexual com o companheiro.

As mulheres com cancro da mama, nomeadamente as mastectomizadas, poderão centrar as suas preocupações, essencialmente, sobre a auto-percepção do seu corpo, podendo a imagem corporal ficar seriamente comprometida, não só pelo valor atribuído pela sociedade actual ao corpo e à beleza física, mas também por tudo aquilo que o seio feminino representa, em termos de feminilidade, actractividade sexual e reprodução.

Para preservar a sua relação com o seu companheiro/marido:

  • Partilhe as suas preocupações com o seu companheiro;
  • Não assuma que o seu companheiro partilha a mesma visão que você tem do seu corpo;
  • Continue a cuidar da sua beleza, não se descuide
  • Quando se sentir preparada para a reiniciar a sua vida sexual comunique a sua vontade ao se companheiro; não tema ser rejeitada.
  • Dê tempo ao tempo...

2.2. Lidar com a Quimioterapia:

A quimioterapia é um dos tipos de tratamento que mais assusta a mulher e isto fica a dever-se, sobretudo, aos efeitos secundários que lhe estão associados.

Hoje existem medicamentos que ajudam a atenuar os efeitos secundários da quimioterapia. É muito importante dizer ao seu médico ou enfermeira quais os efeitos secundários que sente, pois estes poderão ajudá-la a lidar com eles.

Antes de iniciar a Quimioterapia, a maioria das mulheres apontam como principais receios:

  • Perder o cabelo
  • Como os familiares, os amigos e as outras pessoas irão reagir à queda de cabelo;
  • Náuseas, vómitos e outros sintomas de mal-estar físico
  • Menopausa precoce e consequente infertilidade

Para lidar com estes receios, mesmo antes de iniciar a Quimioterapia, deverá informar-se:

Alguns aspectos a ter em conta durante a Quimioterapia:

  • Pergunte ao seu médico ou enfermeira se poderá socorrer-se de alguma medicação para atenuar os sintomas secundários da quimioterapia, como as náuseas, os vómitos, etc.;
  • Se efectivamente a sua quimioterapia lhe for causar queda de cabelo, deverá cortar o cabelo curto e, se desejar, adquirir uma peruca, chapéu, lenço ou outro acessório, antes de iniciar o tratamento;
  • Se planeia ter filhos depois do tratamento, pergunte ao seu médico qual será o seu risco de infertilidade. Procure saber se há alguma opção de quimioterapia que seja menos provável de comprometer a fertilidade. Poderá também consultar um médico especialista em fertilidade antes de iniciar o tratamento;
  • Peça aconselhamento ao seu médico ou enfermeira sobre a melhor forma de lidar com sintomas de menopausa, caso estes ocorram;
  • Saiba onde se poderá dirigir ou para onde poderá telefonar no caso de ter dúvidas ou questões a colocar ao seu médico (poderá sempre telefonar para linha cancro disponibilizada pela Liga Portuguesa Contra o Cancro)
  • Uma ajuda preciosa é manter-se, quer física, quer emocionalmente, tão activa quanto possível durante o período de tratamento. Refeições equilibradas e saudáveis e actividade física moderada, darão ao organismo a energia de que necessita para o seu restabelecimento.

2.3. Lidar com a terapia hormonal:

Algumas mulheres fazem terapêutica hormonal para reduzir o risco de recidiva de cancro da mama. Embora a terapêutica hormonal não se constitua como um dos tipos de tratamento mais temidos pela mulher, uma vez que maioria não sente efeitos secundários, a verdade é que por vezes podem surgir algumas alterações que deverão ser comunicadas ao seu médico.

Alguns possíveis efeitos secundários da terapia hormonal:

  • Leve enjoo
  • Aumento de peso
  • Corrimento e/ou secura vaginal
  • Afrontamentos ou suores em mulheres mais novas
  • Irregularidade menstrual

Muitos destes efeitos secundários podem ser amenizados através da mudança de hábitos de vida. Por exemplo, ter uma dieta equilibrada, fazer exercício físico, tomar suplementos de cálcio e de Vitamina D, podem diminuir os afrontamentos e o enfraquecimento ósseo.   

2.4. Lidar com a Radioterapia:

A radioterapia é quase sempre prescrita após a extracção de um nódulo. Embora para algumas mulheres seja assustador pensar que serão dirigidas radiações directamente no seu corpo, é importante ter em conta que este tratamento permite diminuir a possibilidade de uma recidiva.

Principais receios associados à radioterapia:

  • Perda de cabelo;
  • Náuseas;
  • Radioactividade;
  • Um novo cancro
No entanto, nenhum destes efeitos secundários ocorre com as doses de radioterapia utilizadas no tratamento ao cancro da mama.

 

Alguns aspectos a ter em conta durante a Radioterapia:

  • A radiação é semelhante ao Raio-X: não se vê, nem se sente. Tem de ir a uma consulta com o radiologista antes de iniciar o tratamento. Este traça um plano e discute os possíveis efeitos secundários. É sempre bom tomar nota das dúvidas que tiver, para que as possa discutir.
  • Cada tratamento poderá durar apenas alguns minutos, e geralmente é ministrado à mesma hora, todos os dias, durante 5 dias da semana, durante um número de semanas variável. Se estiver a trabalhar, poderá pedir ao radiologista que lhe marque as sessões de tratamento para um horário compatível com o seu trabalho.

   


Possíveis efeitos secundários da radioterapia:
  • Pele seca ou comichão
  • Leve inchaço ou pele levemente avermelhada (pele pode parecer bronzeada depois de terminado o tratamento)
  • Sensação de cansaço
Estes efeitos secundários desaparecem rapidamente depois do tratamento. Pode perguntar ao seu médico ou enfermeira quais os efeitos secundários previstos e qual a melhor forma de os enfraquecer.

3. Como lidar com o medo de uma recidiva?

Se o cancro da mama já estiver tratado, é importante prevenir que volte a aparecer. O seu médico estabelecerá alguns  critérios de seguimento, baseados em exames locais e gerais, que variam de caso para caso.

Para lidar com os elevados níveis de ansiedade associados ao medo de uma recidiva:

  • Sempre que realize exames ou a uma consulta médica, leve consigo um familiar ou amigo(a). É muito importante sentir-se acompanhada e obter apoio da família, da sua rede de amigos, bem como dos profissionais de saúde
  • Lembre-se sempre que, independentemente dos resultados, o seu médico poderá sempre ajudá-la a compreendê-los e a planear consigo a melhor forma de actuação. Poderá recorrer sempre a uma segunda opinião
  • Quando a ansiedade é elevada, impede-nos de pensar racionalmente. Por este motivo, é importante que faça alguns exercícios de redução da ansiedade, tais como, exercícios de respiração diagramática, relaxamento muscular, ou meditação, por exemplo. Pode também tentar preencher o seu pensamento com imagens apaziguadoras e pensamentos tranquilizadores e encorajadores
  • Se manifestar dificuldades em dormir e se se sentir bastante tensa e inquieta, pode pedir ao seu médico que lhe receite algum medicamento redutor de ansiedade. 
É muito importante seguir os conselhos do seu médico especialista,  efectuar as revisões sem medo e consultar o seu médico, sempre que surja qualquer anomalia. Na maioria das vezes, não será nada de importante mas poderá requerer algum tipo de tratamento de forma a prevenir futuras complicações.

 

Como lidar com o seu companheiro?
Uma das preocupações mais comuns das mulheres que fizeram uma cirurgia e se submeterem aos eventuais tratamentos, é o impacto que estes podem ter na sua relação íntima e sexual com o companheiro. Por um lado, as consequências físicas e psicológicas, como a fadiga, náuseas, dores, falta de lubrificação, sintomas depressivos, ansiedade, entre outras, impedem uma vida sexual satisfatória. Por outro lado, as alterações da imagem corporal, que podem desencadear um forte sentimento de vergonha em relação ao corpo, levam muitas vezes a mulher a evitar qualquer tipo de contacto sexual.

É normal que, também para o companheiro, a doença seja vivida por uma fase dominada pelo choque e que este fique preocupado e manifeste emoções como medo ou revolta, de uma forma muito intensa.

Se assim for, é essencial comunicarem e partilharem emoções e pensamentos acerca do que está a acontecer e das dificuldades pelas quais estão a passar. Esta partilha permite uma maior aproximação, uma maior intimidade, uma melhoria na relação sexual e muitas vezes, uma nova perspectiva da relação.

Para facilitar a comunicação com o seu companheiro/marido:

  • Encontre algum tempo para partilhar com o seu companheiro e conversem tranquilamente num sítio calmo, sem que haja espaço para interrupções;
  • Comece por falar sobre assuntos confortáveis e fáceis, como os planos para as férias. Depois de começar a conversar, pode conduzir a conversa para temas mais “difíceis”, como os seus receios, preocupações, a forma como a doença a modificou e a importância que a relação tem para si.
  • Mesmo que o seu companheiro não seja muito conversador, fale na mesma, pois tal não significa que este não a está a ouvir. Ao longo da conversa deve ir pedindo a opinião do seu companheiro e mantendo o contacto ocular.
  • Frequentemente os companheiros não conversam com as suas mulheres sobre as suas preocupações e receios porque temem perturbá-las ainda mais e trazer-lhe novos problema. Tranquilize-o em relação a isso, dizendo-lhe que quer de facto ouvir e perceber como também ele se sente, o que pensa e como está a lidar com a situação.
  • Se manifestarem dificuldades de comunicação que não conseguem resolver, procurar um terapeuta conjugal pode ser uma boa ajuda.
  • Se para si for muito difícil dizer ao seu parceiro como se sente e o que pensa, pode escrever uma carta e entregar-lhe.

 

A importância do acompanhamento psicológico durante todo o percurso da doença e dos tratamentos:
A intervenção psicológica para a mulher com cancro da mama e respectiva família, é fulcral na prevenção e redução dos sintomas emocionais causados pela doença e seus tratamentos.

A intervenção do psicólogo deve contemplar a especificidade de cada etapa que a doente atravessa, ajudando-a a lidar com o diagnóstico e com os tratamentos.

O movimento Vencer e Viver da Liga Portuguesa Contra o Cancro - Núcleo Regional do Centro disponibiliza uma consulta gratuita de Psicologia, que tem como objectivos:

  • Acompanhar a doente ao longo de todo o processo (desde o diagnóstico até ao término dos tratamentos), ajudando a promover o seu bem-estar emocional e saúde mental, prevenindo e reduzindo os sintomas emocionais associados à doença;
  • Promover estratégias adaptativas para lidar com as dificuldades específicas de cada etapa da doença e dos tratamentos;
  • Facilitar a integração da mulher no seu contexto social, promovendo a adaptação conjugal, familiar, relacional e social.

Quando a mulher descobre que tem cancro da mama, por vezes sente-se tão devastada psicologicamente que não se sente preparada ou capaz de lidar com o que vem a seguir: um período, geralmente longo, de tratamentos. Os seus medos e incertezas podem impedi-la de seguir em frente. Mas recorde-se sempre do seu principal objectivo: voltar a ser o mais saudável possível.

Não subestime a sua força pessoal e a sua capacidade para lidar com as dificuldades. Em situações adversas, todos nós tendemos a encontrar forças em nós que desconhecíamos até então. O acompanhamento psicológico por parte de um profissional habilitado pode facilitar este encontro e, desta forma, pode ajudá-la a adaptar-se a todo este percurso de doença e tratamentos.



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