Apresentação geral do projecto:Project overview 
[Projecto concluído]
O termo transição para a parentalidade refere-se ao período de tempo que medeia entre o início de uma gravidez e os primeiros meses após o nascimento de uma criança (Goldberg, 1988); representa uma transição particularmente importante e crítica do ciclo vida individual e familiar, não só pelo seu carácter permanente, mas também pelas implicações que a adaptação face a ela conseguida terá sobre a saúde, bem-estar e desenvolvimento da criança, dos pais e da família. Geralmente perspectivado com um acontecimento positivo, por ser promotor de satisfação pessoal e conjugal, o nascimento de um filho pode igualmente constituir um momento de stress e de risco de perturbação emocional, nomeadamente pela exigência de mudanças e pela necessidade de reorganização individual e familiar que pode implicar.
O projecto de investigação aqui apresentado, e que configura para já dois estudos que posteriormente se detalharão, visa conhecer a adaptação materna e paterna à gravidez e ao nascimento de um filho, nomeadamente os percursos que as caracterizam, bem como estudar os factores que podem contribuir para uma melhor adaptação ao nascimento de um filho e os que poderão constituir risco de menor ajustamento. Adoptando uma abordagem desenvolvimental e ecológica, considera-se que diferentes indivíduos perspectivam e vivem esse acontecimento de forma distinta, nomeadamente em função da sua história de desenvolvimento, das suas experiências passadas e do contexto familiar e social em que vivem, entre outros. Assim, poderão existir diferentes trajectórias ao longo deste período de desenvolvimento, cuja identificação e caracterização é relevante. Dado que o nascimento de um filho implica reorganizações diferentes nas vidas materna e paterna, pretende-se ainda estudar as diferenças na adaptação paterna e materna à parentalidade.
Este Projecto baseia-se em dois estudos distintos:
- No Estudo A, designado Adaptações Psicológicas à Gravidez e ao nascimento de um filho: percursos e contextos de influência, com um desenho metodológicodo tipo longitudinal prospectivo, estudar-se-á a adaptação da mulher ou do casal à gravidez e nascimento de um filho; os casais serão acompanhados desde o final do primeiro trimeste de gravidez até ao primeiro mês de vida da criança.
- O Estudo B denomina-se Transição para a parentalidade: determinantes psicológicos, médicos e sociais; também do tipo longitudinal e prospectivo, esta investigação pretende caracterizar a adaptação à parentalidade em dois momentos distintos: nos dias seguintes ao parto e nove meses após o nascimento do bebé, numa altura em que ambos os progenitores já regressaram ao trabalho.
Ambos os estudos pretendem, através da conjugação de resultados, contribuir para uma melhor compreensão dos processos de adaptação à gravidez e à parentalidade, focando não só os factores que poderão constituir risco ou vulnerabilidade para dificuldades de desenvolvimento individual e familiar, mas também aqueles que podem promover a resiliência e ajustamento.